Retomando o projeto do blog
Reinicio aqui meu projeto de publicar um blog. Deixo o único artigo escrito abaixo, pois tive dois ótimos motivos para me afastar e o primeiro artigo reflete tudo o que desejo abordar daqui para frente. Terminei meu mestrado e investi todo o tempo no projeto da Content Mind. Hoje, mais madura e antenada nas redes sociais, retomo o tema que considero de suma importância para contribuir com as organizações na tomada de decisões. Pretendo dar um cunho mais estratégico aos posts, enfatizando mais o COMO e sugerindo alguns caminhos em direção à possibilidade de tomada de decisão nas organizações. Qual o papel do profissional da informação nessa missão e qual o papel da tecnologia, como meio e como área nas organizações.
Onde há tecnologia deve haver informação!
Neste blog abordarei as questões pertinentes ao gerenciamento da informação organizacional, as contribuições da Ciência da Informação, suas fronteiras em relação às tecnologias da informação, os pontos cegos e os convergentes existentes entre as duas áreas.
A Biblioteconomia, origem da Ciência da Informação, é uma profissão muito antiga. Estima- se seu início no final do século XIX. No Brasil, o primeiro curso de Biblioteconomia foi criado pelo Decreto n. 8.835, de 11/07/1911 e teve início em abril de 1915 na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Iniciei minha carreira na área em 1983, quando o curso formava bilbiotecários e documentalistas. Esperava-se dos profissionais destreza na organização de livros e documentos em bibliotecas e centros de documentação físicos e não um aprofundamento no que havia dentro do livro, ou seja, o seu conteúdo.
Com o surgimento das tecnologias e da automação das bibliotecas na década de 80, seguido do surgimento de novos suportes, novos recursos informacionais e novas tecnologias, a carreira do bibliotecário foi-se ampliando e transformou-se definitivamente com o surgimento da Internet no Brasil em 1995. As áreas de Ciência da Informação e Tecnologia da Informação se aproximaram de forma definitiva, embora já estivessem juntas há muito tempo. Gottfried Wilhelm von Leibniz (1646 – 1716), considerado “o pai da TI”, foi filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário! Pode se dizer que á naquela época as duas áreas caminhavam juntas.
Alguns cursos de Biblioteconomia passaram a incorporar a expressão “Ciência da Informação” e os profissionais que iniciaram a carreira organizando bibliotecas físicas, viram-se com a possibilidade de inovar e ultrapassar as fronteiras rumo à organização da informação em ambientes digitais.
Não se concebe nos dias de hoje atribuir a uma única área a responsabilidade de gerenciar o universo informacional da organização. É preciso criar equipes com profissionais de áreas distintas para gerenciar projetos internos e buscar o conhecimento que está na rede interna e nas redes sociais externas.
A TI representa o conjunto de recursos tecnológicos e computacionais para geração, aplicação e uso da informação e a Ciência da Informação (CI) estuda a informação desde sua gênese até o processo de transformação de dados em conhecimento. Estuda ainda a aplicação e uso da informação em organizações, e as interações entre pessoas, organização e sistemas de informação (definição extraída da Wikipedia).
Pela minha experiência em organizações dos mais variados segmentos, constato que a necessidade de um profissional da informação com conceitos, técnicas, padrões e práticas consagradas, é de enorme valor para a organização, mas comumente as organizações desconhecem esse perfil do profissional de informação e se enganam quando imaginam o bibliotecário apenas organizando fisicamente um acervo.
Ora, ambas são atividades meio em uma organização, mas não dá para falar de uma sem falar da outra. A TI não organiza a informação, ela é responsável pela infra-estrutura e o usuário final que necessita organizar suas informações tampouco conhece a Ciência da Informação.
Os sintomas desse quadro são muito claros: a área usuária reclama que o programa é ruim, as pessoas que administram reclamam que falta campo para representar uma informação, os sistemas são estanques e departamentais (não conversam entre si), os arquivos ainda se encontram descontrolados pela rede sem critério de organização, sem histórico de versões. A falta de relatórios impede o gerenciamento da informação e a visão sistêmica, inúmeras planilhas são criadas na tentativa de se controlar os dados e para agravar a situação a busca não permite cruzamento de campos, não é “full text” (indexação e busca em campos e anexos) e não recupera campos importantes do banco de dados. Esse quadro não depende do tamanho da organização e sim do grau de maturidade de sua cultura em gestão informacional. O retrabalho, o tempo gasto em busca da informação necessária e o prejuízo financeiro, são incalculáveis.
O artigo de Don Tapscott e Dr. Steve Elmore, Gerenciamento de informações empresariais: planejar para driblar os reveses do momento e prosperar, 2009, cita quatro níveis para o gerenciamento de informações empresariais. Veja em qual nível a sua organização se encontra.
Recentemente estive no evento ECMShow2010 (ECM-Enterprise Content Management), organizado pela.Guia Business Midia e pude observar pelas palestras, que há uma necessidade premente em relação à governança de dados corporativos. Não se concebe mais que uma área esteja desenvolvendo ou comprando um sistema de informação sem que haja uma visão integrada e sistêmica sobre essa ação em relação a outras áreas.
Os dados são da empresa e são os responsáveis em representar o conjunto de informações necessárias para que seja possível tomar decisões, definir estratégias e promover a gestão do conhecimento. É preciso libertar os dados!!
A falta de domínio sobre os conceitos de banco de dados, a falta de governança sobre os dados e a falta de cultura da gestão da informação, leva ao quadro mencionado acima.
A criação de equipes multidisciplinares para a gestão de um projeto que envolva tecnologia e informação, amplia a visão sistêmica e garante um olhar mais focado nas necessidades da organização e não em uma única área.
A tecnologia é imprescindível, mas onde há tecnologia deve haver informação!